sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Mediando sobre as folhas de chá.



Todo ser humano  traz dentro de si uma floresta, plena de ervas medicinais. No centro da floresta existe uma clareira e, no centro desta, um fogo sagrado aquece a água para o chá.
Este chá é feito com folhas da vivência. É preciso coragem e sabedoria para colher as ervas adequadas ao chá para cada ocasião. Uma vez feita a infusão, é preciso sabedoria e coragem para compartilhá-la.

Feito em 22/10/2009, no curso Laços com a Memória - Contação de Histórias. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

sábado, 17 de outubro de 2009

Notícias



Escrevo pelo prazer de dizer "Oi", nem que seja apenas para mim. Escrevo para dizer que continuo ousando fazer coisas simples, e que elas são as mais trabalhosas, pois exigem constância e ritmo sereno. Escrevo para dizer que meu cotidiano chama-se aventura e que minha grande aventura, neste momento é fazer, por inteiro, o que antes considerava apenas simples.

Escrevo para dizer que as trombetas não ressoam, que o Mar Vermelho não afasta suas águas para eu passar, e que ainda assim eu sigo, heroicamente ou velhassábiamente, fazendo com muito gosto, cuidado e capricho, as coisas simples.


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

E por falar em saudade...




Há exatos dez anos recebi uma das maiores lições de minha vida: assisti ao momento sagrado da passagem de um ser humano. Para intensificar a lição, este ser humano era meu Pai. Escrevo hoje com doce saudade, amorosas lembranças e uma infinita gratidão.
Beijos e muita Luz paizão.


terça-feira, 25 de agosto de 2009

Encontro para contar e trocar histórias


Dia 20 de setembro (domingo), às 10:00, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, realizarei uma atividade que me proporciona muito prazer: o Moitará de Histórias. Será o primeiro encontro a céu aberto, cercado de árvores, ervas e flores. Em sua décima primeira edição, o Moitará continua se renovando ... assim como a organizadora que aqui tecla.
Mais informações no blog do !Ponto do Conto.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Liberte-se !


IMAGEM: Intervenção cênica Le Toute-Puissance du Rêve (A Onipotência do Sonho), como Centro Teatral Etc e Tal, no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias - RJ 2009


sexta-feira, 31 de julho de 2009

Pai: lembranças a partir de um texto de Mia Couto


Viajando pela web, me deparei com este texto de Mia Couto. Imediatamente lembrei de meu pai que, em setembro deste ano completará dez anos que se tornou encantado. Guardei para postar em homenagem ao Dia dos Pais mas, ao rever a data em que havia encontrado, outra surpresa: 30 de julho, aniversário do meu pai !
Foi aí que dona Saudade, esta suave senhora que conta histórias daqueles que só podemos ver com os olhos do coração, chegou para me visitar... Lembrei das cômicas augruras de uma filha única de um pai coruja; lembrei do heroísmo de um homem comum, daqueles que não aparecem na mídia; lembrei de mim...
Compartilho, então, o texto sensível de um dos meus autores favoritos: Mia Couto.


"Era uma vez uma menina que pediu ao pai que fosse apanhar a lua para ela. O pai meteu-se num barco e remou para longe. Quando chegou í dobra do horizonte pôs-se em bicos de sonhos para alcançar as alturas. Segurou o astro com as duas mãos, com mil cuidados. O planeta era leve como uma baloa. Quando ele puxou para arrancar aquele fruto do céu se escutou um rebentamundo. A lua se cintilhaçou em mil estrelinhações. O mar se encrispou, o barco se afundou, engolido num abismo. A praia se cobriu de prata, flocos de luar cobriram o areal. A menina se pôs a andar ao contrário em todas as direcções, para lá e para além, recolhendo os pedaços lunares. Olhou o horizonte e chamou: — Pai! Então, se abriu uma fenda funda, a ferida de nascença da própria terra. Dos lábios dessa cicatriz se derramava sangue. A água sangrava? O sangue se aguava? E foi assim. Essa foi uma vez."

Mia Couto - Contos do Nascer da Terra.

sábado, 25 de julho de 2009

Desacontecimentos


E aqui estou eu, em pleno sábado chuvoso e frio, buscando uma trilha que me leve para fora desta imensa planície de desacontecimentos. Não que eu esteja parada, muito pelo contrário: continuo com meu trabalho (agora com mais uma etapa, com três ótimas orientandas), até participando de um interessante curso no Museu do Folclore mas com a impressão de... nada.
Solidão? Necessidade de mudança de direção ? Falta de uma paixão ? Ou simplesmente um sábado chuvoso e frio ?

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Ladeiras, mapas e bússolas



Enquanto espero para decidir se sigo mapas ou bússolas, uma boa opção é subir ladeiras... E assim o fiz, em mais uma edição do Santa Teresa de Portas Abertas, aqui no Rio de Janeiro. É um evento no qual artistas do bairro abrem seus ateliês e mostram sua criação.

Santa Teresa , bairro com um bondinho muito charmoso, se enfeita de arte, torna-se (mais) musical e recebe visitantes que caminham por suas ladeiras (e ponham ladeiras nisso rsrsrsrs). Adoro passear por lá! Entrar em ateliês, conversar com artistas alimenta minh'alma.


quinta-feira, 11 de junho de 2009

Tempo...


Um mês sem escrever... Um mês necessário para, em recolhimento, honrar o fio da minha história. Muitas coisas boas aconteceram nestes 30 dias, a comunicação delas no entanto, necessitou deste tempo, que valeu pelo 'um ano e um dia' dos Contos de Fadas.

O mês de maio trouxe, em suas quatro luas, o reencontro com os primórdios do meu ofício de Contadora de Histórias: o Centro de Teatro do Oprimido e a Biodanza. Cada giro na espiral convidou a um inventário de sonhos e propósitos; a uma avaliação, muitas vezes incômoda, do quanto, ao caminhar, segui minha bússola ou me contentei em seguir mapas já traçados (e graças aos deuses por eles !).

Eu, quando em fases de Herói (assim, no masculino mesmo), tenho a ilusão da Vida em linha reta,esqueci da lição do povo Aymará : o passado está à frente, pois é o único que podemos ver... Vi o passado com a perda, vi o passado com o reencontro. E agora, já passada a fase do ou/ou, me pergunto: Quando utilizar um mapa ? Quando seguir a bússola ?



quarta-feira, 22 de abril de 2009

O fio das missangas



Estou percebendo o infinito em uma gota d'agua, lendo o livro O fio das missangas, do moçambicano Mia Couto. Na livraria, abri o livro ao acaso e me deparei com o conto "A despedideira"; os primeiros dois parágrafos, que reproduzo nesta postagem, me instigaram... Vejam:

"Há mulheres que querem que seu homem seja o Sol. O meu quero-o nuvem. Há mulheres que falam na voz de seu homem. O meu que seja calado e eu, nele, guarde meus silêncios. Para que ele seja a minha voz quando Deus me pedir contas.

No resto, quero que tenha medo e me deixe ser mulher, mesmo que nem sempre sua. Que ele seja homem em breves doses. Que exista em marés, no ciclo das águas e dos ventos. E, vez em quando, seja mulher, tanto quanto eu. As suas mãos as quero firmes quando me despir. Mas ainda mais quero que ele me saiba vestir. Como se eu mesma me vestisse e ele fosse a mão da minha vaidade."

Não sei se quero tal homem. Mas se viesse assim, tão bem escrito... Sei não...

Ah, o Livro: Couto, Mia. O fio das missangas - contos. SP: Companhia das Letras, 2009.