SOMOS TECELÃS DE MUITAS FACES E CULTURAS, TECENDO HISTÓRIAS ATRAVÉS DOS TEMPOS.

Tecendo a vida

terça-feira, 26 de junho de 2007

Fotografia...



Fotografias participam do mesmo campo simbólico da luz _ consciência e manifestação do sagrado. Oferecem ao olhar uma noção de tempo magnificada , porque congelada. Trazem informações e elaborações peculiares. Fragmentos congelados de um passado, são suporte para a fluidez narrativa, contam histórias...

Esta é minha foto preferida, tirada no Egito, em 1998. Aqui escrevo meu nome nas areias do Saara, consciente de que o tempo e o vento se encarregarão de apagá-lo; contudo, por um breve e eterno momento, alterei a forma de todo o Deserto. A luz intensa destaca a sombra. Luz e Sombra fazem parte do mesmo instante...


segunda-feira, 18 de junho de 2007

Bartolomeu Campos Queirós e a Deusa Tríplice



São três rosas de ouro
-mandalas de sete pétalas.

São três raios e três mundos
três essências de três anjos
três forças em três cavalos.

(São três obras, uma em negro,
outra em branco. E a terceira,
em púrpura a profecia.)

São três lados, são três vértices
uma única figura.

CAVALEIROS DAS SETE LUAS. Bartolomeu Campos Queirós.
IMAGEM: Eliana Ribeiro - Fotomontagem com Corel Photo-Paint 11



domingo, 10 de junho de 2007

A Tapeçaria



No salão do castelo há uma tapeçaria:
uma Dama e um Unicórnio olham-se com alegria.
Alegria de linha tecida, sem poder modificar.
Seus sorrisos congelados ameaçam desbotar.
Presos na tapeçaria, o Unicórnio e a Dama tentam fingir alegria
como quem convive e não ama.
Um fio de linha se solta, é o início do desfiar.
O Unicórnio e a Dama sentem-se desmanchar...
Não há mais tapeçaria na parede do castelo,
mas fora, na pradaria, ouve-se um canto mui belo...
Desta vez com alegria e olhar de quem se ama
brincam, finalmente livres,
O Unicórnio e a Dama.

Eliana Ribeiro 3 de abril de 1995
Imagem: Eliana Ribeiro - Fotomontagem com Corel Photo-PAINT 11



Para Ariadne




Ariadne,

sorridente dançarina da serpente,
dá-me um fio resistente e que possa me guiar.

Quero entrar no labirinto, encontrar o meu instinto,
e preciso do teu fio para no escuro me lançar.

Da solar Atenas venho; atravessei o Grande Mar.
À arcaica Creta peço permissão para aportar.

É com teu fio, Ariadne, que meu caminho vou marcar .
Com a licença da Mãe Terra, ao Minotauro vou encontrar.

Eliana Ribeiro - 15 de abril de 1995
IMAGEM: ELIANA RIBEIRO - Fotomontagem com Corel Photo-Paint 11


O bordado da Princesa



Era uma vez uma Princesa
Que sentou-se em um Tear
Teceu tecido de linho
E com linha pôs-se a bordar
Bordou um castelo dourado que flutuava no ar,
Bordou um príncipe encantado, sonhando com ele casar.
Enquanto isto, na janela, o Tempo estava a passar.

Bordou com todas as cores

Bordou...bordou sem parar
Só não bordou os amores,
que estes não se podem bordar.
Enquanto isto, na janela, o Tempo estava a passar.

Um dia, pronto o bordado, nele tentou entrar

mas o príncipe encantado e o castelo engalanado
começaram a desfiar.
E o tempo que passava, enquanto a princesa bordava,
ouviu-a, então chorar...
Era só uma menina, quando sentar ao Tear
mas agora, pronto o bordado, que jazia desfiado
era uma Mulher a chorar...

Chorou o sonho desfeito, chorou o castelo no ar.
Chorou o amor não amado, que fazendo seu bordado
esquecera de amar.
E o Tempo na janela, em seu constante fluir,
cantou canção que dizia
ser hora de decidir:
Entre ser mulher e abrir a porta, indo ao mundo encontrar;
ou pemanecer princesa, sentada em frente ao Tear.


Eliana Ribeiro - 21 de fevereiro de 1995
Imagem: ELIANA RIBEIRO - Montagem em Corel- Photo-Paint 11 a partir de AS PARCAS, Salvador Dali e fotografia vintage.