SOMOS TECELÃS DE MUITAS FACES E CULTURAS, TECENDO HISTÓRIAS ATRAVÉS DOS TEMPOS.

Tecendo a vida

sábado, 29 de novembro de 2008

Pandora revisitada





Sendo parte do gênero que, há milênios, é culturalmente responsabilizado por morder maçãs e abrir caixas, criei um espaço na agenda tão congestionada de final de ano para um ato de desagravo às minhas Ancestrais míticas: Eva e Pandora.

Abri ,então, a geladeira, peguei uma maçã bem vermelha ( vocês hão de convir que, num apartamento, em pleno século XXI, é impossível colher a fruta diretamente da Árvore da Vida) e confeccionei três caixas, para presentear três queridas companheiras de grupo de estudos.

Fazê-las, trouxe a tranquilidade e a vivência de
kairós, o tempo da justa medida, para os antigos gregos; uma bendita desaceleração. Escolher o que colocar no interior da caixa foi um exercício de selecionar o necessário para o momento, de entrar em contato com o desejo.

Nomeei as caixas de Kit Sombra, pois nosso grupo de estudos vêm trabalhando em torno do conceito junguiano de Sombra. Reuni alguns objetos que, simbolicamente, seriam facilitadores do encontro com a Sombra:

uma vela - para trazer à luz nossos conteúdos sombrios, permitindo-nos olhá-los.
um fio - para que possamos trilhar no labirinto de nós mesmas.
um cristal - para arquivarmos nosso conhecimento construído coletivamente
um ramo de alecrim - para proteger e perfumar nossa jornada.

Com uma sensação de Pandora revisitada, terminei o trabalho e fui dormir desejando a chegada do dia seguinte dia seguinte, quando iria entregar as caixas. Ao fazer as pequenas lembranças para minhas amigas, a verdadeira presenteada fui eu. Aqui estão as fotos. O paninho de crochê foi feito por minha mãe.

Ah, a maçã? Estava deliciosa...mmmmm....


domingo, 16 de novembro de 2008

Ancestrais



Quando nossos ancestrais 'reais' se transformam em figuras míticas? Velhos Sábios arquetípicos? Esta pergunta me ocorre sempre que vejo esta foto. Meu bisavô Antônio, que não conheci, e minha bisavó Anna da Glória, com quem convivi até os nove anos, com o passar do tempo se tornaram imagens internas de sabedoria.

A figura de bisa Anna, a rezadeira mãe de sacerdote e sacerdotiza que, em meu imaginário é a Grande Mãe , me ensinou a convivência e o respeito ao Sagrado , tornou-se a Madrinha da contadora de histórias que hoje sou.

Suas figuras reais, seus acertos e erros humanos perderam-se no fio da história, já passada . Contudo, como o povo Aymará bem o sabe, o passado está adiante de nós, pois é o que conseguimos ver...