SOMOS TECELÃS DE MUITAS FACES E CULTURAS, TECENDO HISTÓRIAS ATRAVÉS DOS TEMPOS.

Tecendo a vida

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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Hoje cometi um adultério!



CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL - RJ
EXPOSIÇÃO PICASSO E A MODERNIDADE ESPANHOLA


Hoje cometi um adultério! 
Afogada em leituras obrigatórias, pós-coloniais, pós-modernas e pós-pós, simplesmente me permiti fazer aquilo que a minha avó chamava de "pular a cerca"...Fui ver belezas, fui brincar com meu reflexo no espelho... Por preciosos instantes me permiti rir da adulta que cumpre prazos, que formata sua autoria segundo a ABNT. Por preciosos instantes brinquei de Alice no reino dos espelhos, brinquei de Madrasta da Branca de Neve e brinquei de Narciso. Como adulta, rio... Saí do labirinto de espelhos adulterada em minha adultice de prazos e regras ABNTísticas...
Hoje cometi um adultério...
Foi um gozo! 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Somos todas Malala Yousufzai




Malala Yousufzai, a garota paquistanesa de 14 anos de idade que fez campanhas pelos direitos das meninas à educação, foi baleada na cabeça em seu caminho de volta para casa depois da escola. O atentado ocorreu no dia 9 de outubro e foi assumido pelo Taliban.






quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

As águas e as letras

Cândido Portinari, LAVADEIRAS, 1943.
Minha Avó era lavadeira; mulher pobre, com 7 filhos e um marido que pegou a estrada... Minha Avó não tinha as letras; desejava-as, sonhava-as, mirava a vivência escolar que nunca tivera. Um dia minha Avó entrou para a escola. Era o projeto MOBRAL-Movimento Brasileiro de Alfabetização. Embora fosse um retrocesso em terras que trabalharam com Paulo Freire e produto da ditadura militar, ainda assim era a vivência escolar tão desejada... Minha Avó era feliz.

Eu, no mesmo ano _1974_ ingressava no Curso Normal. Iria realizar a autocumprida profecia familiar de me tornar professora. Minha Avó se alfabetizava e eu estudava para, mais tarde, alfabetizar... Minha Avó era feliz, eu era feliz.

Todavia, como Mulheres, as letras não nos eram entregues com facilidade.
Mulheres engravidam... A mais estranha das Tias engravidou e precisou trabalhar para sustentar a filha e as demais Mulheres da família decidiram que tudo estava decidido: minha Avó tomaria conta da criança e largaria a tão desejada escola. Os olhos da Avó se transformaram em mar e seu silêncio foi o mais eloquente dos discursos. Silenciado o desejo das letras e dos bancos escolares a Avó continuou cantando e lavando roupas. Ela e eu recebemos a mensagem familiar: estudo é secundário,  escola- só para quem não precisa fazer nada mais sério.
Meu último encontro com minha Avó foi no dia da minha formatura em História, três dias depois ela se tornaria Encantada, deixando em mim a lembrança de uma Grande Mãe e o desejo da Palavra.

Para as Mulheres as letras não são entregues com facilidade. Todavia...
Esta semana fui aprovada para um programa de Doutorado. Celebro a vitória no processo de seleção. Celebro minha Avó pois, no momento em que vi seus olhos se transformando em Mar, assumi o compromisso comigo mesma de nunca abrir mão das Palavras e das Letras.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Círculo de Mulheres, Círculo de Histórias


Domingo de muito frio no Rio de Janeiro... Um dia ideal para um chá, café, capucino e histórias para contar e ouvir. Foi o que fizemos: Denise, Adriana, Nathália e Eu, no Jardim Botânico. Contamos histórias de mulheres e nossos causos, como mulheres que somos. Um momento ritual para as histórias, um momento descontraído para os causos.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Encontro para contar e trocar histórias


Dia 20 de setembro (domingo), às 10:00, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, realizarei uma atividade que me proporciona muito prazer: o Moitará de Histórias. Será o primeiro encontro a céu aberto, cercado de árvores, ervas e flores. Em sua décima primeira edição, o Moitará continua se renovando ... assim como a organizadora que aqui tecla.
Mais informações no blog do !Ponto do Conto.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher

Passei o Dia Internacional da Mulher de maneira muito especial: contando histórias.

Como está escrito no perfil, aí ao lado esquerdo, trabalho no curso de Pós-graduação em Arteterapia ( ai, hífen... o que faço contigo ?) da Clínica POMAR, no RJ. Lá inventei uma atividade que me dá um enorme prazer: o Moitará de Histórias _ um encontro para se contar e trocar histórias. Neste 8 de março, o tema do Moitará foi , é claro, histórias sobre a Mulher.

Quero contar mais... Porém já são 1:23 h e amanhã (hoje) tenho muito trabalho a fazer, pois dentre minhas funções, na POMAR, está a de orientadora de monografias... Mas outro dia eu comento.

Agora vou dormir...Boa noite!

zzzzzzzzzzzzzzzz.....

domingo, 20 de abril de 2008

Viva o meu par de havaianas


Em menina, ouvi de minha mãe a história de mulheres que cortaram partes dos pés para que estes coubessem dentro de um sapatinho de cristal. Confesso que, desde aquela época, a idéia de sapatos apertados em nome de convenções/elegâncias/expectativas alheias passou a me desagradar profundamente. Sou, desde então, uma mulher considerada um pouco excêntrica, tanto no modo de vestir quanto nos gostos.

Esta pintura, Princess Cinderella's Voyage, de Vladimir Kush, me dá outra dimensão dos sapatos das convenções/elegâncias/ expectativas alheias: um Fardo !

A grande culpada por minha atual excentricidade é minha mãe! Foi ela quem me contou que para cabermos nos sapatos de cristal precisamos amputar partes de nós mesmas... E que isso dói! E que isso sangra! E que o Príncipe não virá nos salvar !

Sapatinhos de Cristal?! Não, agradecida ! Fico com meu par de havaianas.



terça-feira, 24 de julho de 2007

Memória e História (s)



Aqui estou com minha bisavó Anna. Nesta foto estão presentes dois campos simbólicos que demarcam minha trajetória profissional: o feminino e a ancestralidade. Não por acaso sou professora de História e Contadora de Histórias. Narrativas são o meu deleite. Como professora de História, sempre busquei as histórias fora da história oficial; como contadora de histórias, mergulho nas imagens multifacetadas produzidas pela humanidade, procuro as trilhas de sabedoria deixadas por nossos ancestrais. Anna, uma benzedeira, contava histórias de santos católicos. Eu conto histórias de Orixás.

A primeira vez que me considerei fazendo arte foi na militância partidária. Nos anos 90, dividi meu tempo entre a campanha teatral e, mais tarde, gabinete político- teatral do teatrólogo Augusto Boal e a minha dissertação de Mestrado em História, na PUC do Rio de Janeiro. Caminhando entre a apolínea PUC e o dionisíaco Centro de Teatro do Oprimido, passei quatro anos respirando duas qualidades de poeira: a dos arquivos, onde pesquisava, e a das ruas, onde eram realizadas as apresentações teatrais. Declaro que, até hoje, sou apaixonada pelas duas atividades. Tanto no teatro quanto no mestrado, o foco do meu trabalho era no feminino. Na época, era uma mulher dividida entre Atena e Afrodite; hoje me declaro filha de Oxum .

Venho de uma família de muitas mulheres, ouvia histórias de suas vidas, assisti algumas delas serem afastadas do sagrado direito de exercer seu potencial criativo. Foram precisos poucos anos de faculdade de História e, mais tarde, Ciências Sociais, para começar a estabelecer a ponte entre o pessoal e o político. O pessoal é político, já dizia o movimento feminista.

No magistério tive a oportunidade de vivenciar o que se tornou um divisor de águas em minha trajetória profissional: durante quatro anos trabalhei como professora na Penitenciária Feminina Talavera Bruce. O feminino apresentava-se ali, em uma de suas faces mais sofridas, sombrias e profundas.

Quando junto fotos imaginárias do meu trabalho tanto com as mulheres, na Talavera Bruce quanto nos dias atuais, contando histórias ou cocmo arteterapeuta, percebo que um fio une as diversas práticas _ a exclusão e as histórias silenciadas, contadas por outrem. O que mudou foi minha maneira de lidar com essas histórias. Se antes priorizava apenas a denúncia ,ação importante, sem dúvida, hoje priorizo a transformação. Mais do que denunciar uma situação de sequestro da cidadania, hoje busco trabalhar com o brilho inerente a cada ser humano. Saí do trabalho com a patologia social para trabalhar na promoção da cidadania plena _ e é aí que a Arteterapia entra em minha vida.


terça-feira, 26 de junho de 2007

Fotografia...



Fotografias participam do mesmo campo simbólico da luz _ consciência e manifestação do sagrado. Oferecem ao olhar uma noção de tempo magnificada , porque congelada. Trazem informações e elaborações peculiares. Fragmentos congelados de um passado, são suporte para a fluidez narrativa, contam histórias...

Esta é minha foto preferida, tirada no Egito, em 1998. Aqui escrevo meu nome nas areias do Saara, consciente de que o tempo e o vento se encarregarão de apagá-lo; contudo, por um breve e eterno momento, alterei a forma de todo o Deserto. A luz intensa destaca a sombra. Luz e Sombra fazem parte do mesmo instante...