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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
As águas e as letras
| Cândido Portinari, LAVADEIRAS, 1943. |
Minha Avó era lavadeira; mulher pobre, com 7 filhos e um marido que pegou a estrada... Minha Avó não tinha as letras; desejava-as, sonhava-as, mirava a vivência escolar que nunca tivera. Um dia minha Avó entrou para a escola. Era o projeto MOBRAL-Movimento Brasileiro de Alfabetização. Embora fosse um retrocesso em terras que trabalharam com Paulo Freire e produto da ditadura militar, ainda assim era a vivência escolar tão desejada... Minha Avó era feliz.
Eu, no mesmo ano _1974_ ingressava no Curso Normal. Iria realizar a autocumprida profecia familiar de me tornar professora. Minha Avó se alfabetizava e eu estudava para, mais tarde, alfabetizar... Minha Avó era feliz, eu era feliz.
Todavia, como Mulheres, as letras não nos eram entregues com facilidade.
Mulheres engravidam... A mais estranha das Tias engravidou e precisou trabalhar para sustentar a filha e as demais Mulheres da família decidiram que tudo estava decidido: minha Avó tomaria conta da criança e largaria a tão desejada escola. Os olhos da Avó se transformaram em mar e seu silêncio foi o mais eloquente dos discursos. Silenciado o desejo das letras e dos bancos escolares a Avó continuou cantando e lavando roupas. Ela e eu recebemos a mensagem familiar: estudo é secundário, escola- só para quem não precisa fazer nada mais sério.
Meu último encontro com minha Avó foi no dia da minha formatura em História, três dias depois ela se tornaria Encantada, deixando em mim a lembrança de uma Grande Mãe e o desejo da Palavra.
Para as Mulheres as letras não são entregues com facilidade. Todavia...
Para as Mulheres as letras não são entregues com facilidade. Todavia...
Esta semana fui aprovada para um programa de Doutorado. Celebro a vitória no processo de seleção. Celebro minha Avó pois, no momento em que vi seus olhos se transformando em Mar, assumi o compromisso comigo mesma de nunca abrir mão das Palavras e das Letras.
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quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Círculo de Mulheres, Círculo de Histórias
Domingo de muito frio no Rio de Janeiro... Um dia ideal para um chá, café, capucino e histórias para contar e ouvir. Foi o que fizemos: Denise, Adriana, Nathália e Eu, no Jardim Botânico. Contamos histórias de mulheres e nossos causos, como mulheres que somos. Um momento ritual para as histórias, um momento descontraído para os causos.
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
E por falar em saudade...
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Pai: lembranças a partir de um texto de Mia Couto

Viajando pela web, me deparei com este texto de Mia Couto. Imediatamente lembrei de meu pai que, em setembro deste ano completará dez anos que se tornou encantado. Guardei para postar em homenagem ao Dia dos Pais mas, ao rever a data em que havia encontrado, outra surpresa: 30 de julho, aniversário do meu pai !
Foi aí que dona Saudade, esta suave senhora que conta histórias daqueles que só podemos ver com os olhos do coração, chegou para me visitar... Lembrei das cômicas augruras de uma filha única de um pai coruja; lembrei do heroísmo de um homem comum, daqueles que não aparecem na mídia; lembrei de mim...
Compartilho, então, o texto sensível de um dos meus autores favoritos: Mia Couto.
"Era uma vez uma menina que pediu ao pai que fosse apanhar a lua para ela. O pai meteu-se num barco e remou para longe. Quando chegou í dobra do horizonte pôs-se em bicos de sonhos para alcançar as alturas. Segurou o astro com as duas mãos, com mil cuidados. O planeta era leve como uma baloa. Quando ele puxou para arrancar aquele fruto do céu se escutou um rebentamundo. A lua se cintilhaçou em mil estrelinhações. O mar se encrispou, o barco se afundou, engolido num abismo. A praia se cobriu de prata, flocos de luar cobriram o areal. A menina se pôs a andar ao contrário em todas as direcções, para lá e para além, recolhendo os pedaços lunares. Olhou o horizonte e chamou: — Pai! Então, se abriu uma fenda funda, a ferida de nascença da própria terra. Dos lábios dessa cicatriz se derramava sangue. A água sangrava? O sangue se aguava? E foi assim. Essa foi uma vez."
Mia Couto - Contos do Nascer da Terra.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Tempo...

Um mês sem escrever... Um mês necessário para, em recolhimento, honrar o fio da minha história. Muitas coisas boas aconteceram nestes 30 dias, a comunicação delas no entanto, necessitou deste tempo, que valeu pelo 'um ano e um dia' dos Contos de Fadas.
O mês de maio trouxe, em suas quatro luas, o reencontro com os primórdios do meu ofício de Contadora de Histórias: o Centro de Teatro do Oprimido e a Biodanza. Cada giro na espiral convidou a um inventário de sonhos e propósitos; a uma avaliação, muitas vezes incômoda, do quanto, ao caminhar, segui minha bússola ou me contentei em seguir mapas já traçados (e graças aos deuses por eles !).
Eu, quando em fases de Herói (assim, no masculino mesmo), tenho a ilusão da Vida em linha reta,esqueci da lição do povo Aymará : o passado está à frente, pois é o único que podemos ver... Vi o passado com a perda, vi o passado com o reencontro. E agora, já passada a fase do ou/ou, me pergunto: Quando utilizar um mapa ? Quando seguir a bússola ?
O mês de maio trouxe, em suas quatro luas, o reencontro com os primórdios do meu ofício de Contadora de Histórias: o Centro de Teatro do Oprimido e a Biodanza. Cada giro na espiral convidou a um inventário de sonhos e propósitos; a uma avaliação, muitas vezes incômoda, do quanto, ao caminhar, segui minha bússola ou me contentei em seguir mapas já traçados (e graças aos deuses por eles !).
Eu, quando em fases de Herói (assim, no masculino mesmo), tenho a ilusão da Vida em linha reta,esqueci da lição do povo Aymará : o passado está à frente, pois é o único que podemos ver... Vi o passado com a perda, vi o passado com o reencontro. E agora, já passada a fase do ou/ou, me pergunto: Quando utilizar um mapa ? Quando seguir a bússola ?
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Delíííííííícia !
Creio que a postagem anterior, dissertando 'cientificamente' sobre sapatos e congêneres sinalizava para o desejo de andar descalça e mergulhar os pés na água refrescante. Foi o que fiz, aproveitando o feriado de São Sebastião / Oxóssi, aqui no Rio de Janeiro. Peguei umas poucas 'coisitas' e fui para Visconde de Mauá, uma região de muitos rios, cachoeiras e mata.
Mauá é um Paraíso mas, para que se chegue, é preciso passar pelo Purgatório: a estrada de acesso... Para quem gosta de aventuras _ e eu gosto _ a estrada oferece: abismos sem qualquer cerca de proteção; buracos, para que o ônibus possa dar boas sacolejadas; poeira...
Mas tudo isso vale a pena, pois a Alma em Mauá não é e nem fica pequena !
Mauá é um Paraíso mas, para que se chegue, é preciso passar pelo Purgatório: a estrada de acesso... Para quem gosta de aventuras _ e eu gosto _ a estrada oferece: abismos sem qualquer cerca de proteção; buracos, para que o ônibus possa dar boas sacolejadas; poeira...
Mas tudo isso vale a pena, pois a Alma em Mauá não é e nem fica pequena !
domingo, 16 de novembro de 2008
Ancestrais

Quando nossos ancestrais 'reais' se transformam em figuras míticas? Velhos Sábios arquetípicos? Esta pergunta me ocorre sempre que vejo esta foto. Meu bisavô Antônio, que não conheci, e minha bisavó Anna da Glória, com quem convivi até os nove anos, com o passar do tempo se tornaram imagens internas de sabedoria.
A figura de bisa Anna, a rezadeira mãe de sacerdote e sacerdotiza que, em meu imaginário é a Grande Mãe , me ensinou a convivência e o respeito ao Sagrado , tornou-se a Madrinha da contadora de histórias que hoje sou.
Suas figuras reais, seus acertos e erros humanos perderam-se no fio da história, já passada . Contudo, como o povo Aymará bem o sabe, o passado está adiante de nós, pois é o que conseguimos ver...
A figura de bisa Anna, a rezadeira mãe de sacerdote e sacerdotiza que, em meu imaginário é a Grande Mãe , me ensinou a convivência e o respeito ao Sagrado , tornou-se a Madrinha da contadora de histórias que hoje sou.
Suas figuras reais, seus acertos e erros humanos perderam-se no fio da história, já passada . Contudo, como o povo Aymará bem o sabe, o passado está adiante de nós, pois é o que conseguimos ver...
domingo, 15 de junho de 2008
Tempo...

IMAGEM: FIERY DANCE , Vladimir Kush
"Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu...""És um Senhor tão bonito... Tempo, Tempo, Tempo, Tempo..."
Pois é... Recebi hoje este e-mail de uma amiga desde os tempos de faculdade, já lá se vão 27 anos.Ester e eu somos amigas muito especiais: há vinte e dois anos não nos encontramos pessoalmente, mas, quando nos falamos, parece que damos continuidade a um encontro recente.
Vi , nas fotos do Blog, a mesma menina sorridente, vestindo um estilo de roupas muito próprio e confiante na mudança do mundo para melhor que eu conheci na faculdade!
Eu acredito, amiga : com certeza VOCÊ FAZ A DIFERENÇA.
Beijos.
O e-mail tocou naquele pontinho de saudade dos tempos de faculdade, tempos de sonhos e de 'Coração de Estudante'. Fiquei emocionada por constatar, através do olhar generoso de uma amiga, que o sonho e o coração permanecem, com mais experiência, e, agora com a responsabilidade concretizarem-se ao máximo possível.
Eu acredito, amiga : com certeza VOCÊ FAZ A DIFERENÇA.
Beijos.
O e-mail tocou naquele pontinho de saudade dos tempos de faculdade, tempos de sonhos e de 'Coração de Estudante'. Fiquei emocionada por constatar, através do olhar generoso de uma amiga, que o sonho e o coração permanecem, com mais experiência, e, agora com a responsabilidade concretizarem-se ao máximo possível.
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domingo, 20 de abril de 2008
Viva o meu par de havaianas

Em menina, ouvi de minha mãe a história de mulheres que cortaram partes dos pés para que estes coubessem dentro de um sapatinho de cristal. Confesso que, desde aquela época, a idéia de sapatos apertados em nome de convenções/elegâncias/expectativas alheias passou a me desagradar profundamente. Sou, desde então, uma mulher considerada um pouco excêntrica, tanto no modo de vestir quanto nos gostos.
Esta pintura, Princess Cinderella's Voyage, de Vladimir Kush, me dá outra dimensão dos sapatos das convenções/elegâncias/ expectativas alheias: um Fardo !
A grande culpada por minha atual excentricidade é minha mãe! Foi ela quem me contou que para cabermos nos sapatos de cristal precisamos amputar partes de nós mesmas... E que isso dói! E que isso sangra! E que o Príncipe não virá nos salvar !
Sapatinhos de Cristal?! Não, agradecida ! Fico com meu par de havaianas.
Esta pintura, Princess Cinderella's Voyage, de Vladimir Kush, me dá outra dimensão dos sapatos das convenções/elegâncias/ expectativas alheias: um Fardo !
A grande culpada por minha atual excentricidade é minha mãe! Foi ela quem me contou que para cabermos nos sapatos de cristal precisamos amputar partes de nós mesmas... E que isso dói! E que isso sangra! E que o Príncipe não virá nos salvar !
Sapatinhos de Cristal?! Não, agradecida ! Fico com meu par de havaianas.
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sábado, 22 de março de 2008
A mais estranha das Tias
Nesta última quinta-feira, dita Santa, a mais estranha de minhas Tias fêz sua Grande Travessia.
Portadora do caos familiar, comunicado por meio de 'acessos' e de uma fala politicamente incorreta, sua existência neste plano preservou a imagem de normalidade do restante da família. As emoções caudalosas se refletiram nos rins... O compromisso, quase diário, com uma máquina de hemodiálise cobrou seu preço, minando a vontade de viver, enfraquecendo o coração.
Ao devolver o corpo à Terra, para que a Natureza seguisse seu ciclo, pensei em libertação, em sistema familiar, no arquétipo da Sombra, em minha infância... Pensei, senti, chorei...
Tia 'Lica', a mais estranha de minhas Tias, esteja em paz, na luz !
IMAGEM: HTTP://PROFILE.IMAGESHACK.US/USER/ORFINTAIN
Portadora do caos familiar, comunicado por meio de 'acessos' e de uma fala politicamente incorreta, sua existência neste plano preservou a imagem de normalidade do restante da família. As emoções caudalosas se refletiram nos rins... O compromisso, quase diário, com uma máquina de hemodiálise cobrou seu preço, minando a vontade de viver, enfraquecendo o coração.
Ao devolver o corpo à Terra, para que a Natureza seguisse seu ciclo, pensei em libertação, em sistema familiar, no arquétipo da Sombra, em minha infância... Pensei, senti, chorei...
Tia 'Lica', a mais estranha de minhas Tias, esteja em paz, na luz !
IMAGEM: HTTP://PROFILE.IMAGESHACK.US/USER/ORFINTAIN
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Para não dizer que não falei de flores

Minha avó, em meados do século XX, dizia: "Que pena a televisão não ter cor!" . Eu, daqui do século XXI, penso: "Que pena a web não ter aroma!"...
Conclusão: Nós, humanos, estamos sempre querendo mais.
Que bom!
Um dos rituais da minha infância era a espera do florescimento das orquídeas. A grande árvore, rainha do quintal, hospedava as orquídeas em seu tronco. Na época da floração, meu avô e eu aguardávamos o desabrochar dos botões com um sentimento de reverência e expectativa.
Ah, as orquídeas! Ao contrário das rosas, margaridas e marias-sem- vergonha que, em sua organização, tinham sempre representantes em nosso quintal e jardim, as orquídeas floresciam juntas e únicas e, do mesmo modo aristocrático, davam por encerrada sua majestosa aparição. Seu ciclo_ não mais que duas semanas_ enchia toda a casa com o aroma inconfundível, exótico.
As cores, ricas em matizes, aos olhos de uma criança só poderiam ser atribuídas às Fadas da Floresta, guardiãs daquele pequeno pedaço de bosque, encantado sob a forma de um quintal. E o Guardião daquele reino, disfarçado em Avô, cuidava para que a Grande Obra dos seres encantados tivesse toda homenagem da qual era merecedora.
Que bom!
Um dos rituais da minha infância era a espera do florescimento das orquídeas. A grande árvore, rainha do quintal, hospedava as orquídeas em seu tronco. Na época da floração, meu avô e eu aguardávamos o desabrochar dos botões com um sentimento de reverência e expectativa.
Ah, as orquídeas! Ao contrário das rosas, margaridas e marias-sem- vergonha que, em sua organização, tinham sempre representantes em nosso quintal e jardim, as orquídeas floresciam juntas e únicas e, do mesmo modo aristocrático, davam por encerrada sua majestosa aparição. Seu ciclo_ não mais que duas semanas_ enchia toda a casa com o aroma inconfundível, exótico.
As cores, ricas em matizes, aos olhos de uma criança só poderiam ser atribuídas às Fadas da Floresta, guardiãs daquele pequeno pedaço de bosque, encantado sob a forma de um quintal. E o Guardião daquele reino, disfarçado em Avô, cuidava para que a Grande Obra dos seres encantados tivesse toda homenagem da qual era merecedora.
terça-feira, 24 de julho de 2007
Memória e História (s)

Aqui estou com minha bisavó Anna. Nesta foto estão presentes dois campos simbólicos que demarcam minha trajetória profissional: o feminino e a ancestralidade. Não por acaso sou professora de História e Contadora de Histórias. Narrativas são o meu deleite. Como professora de História, sempre busquei as histórias fora da história oficial; como contadora de histórias, mergulho nas imagens multifacetadas produzidas pela humanidade, procuro as trilhas de sabedoria deixadas por nossos ancestrais. Anna, uma benzedeira, contava histórias de santos católicos. Eu conto histórias de Orixás.
A primeira vez que me considerei fazendo arte foi na militância partidária. Nos anos 90, dividi meu tempo entre a campanha teatral e, mais tarde, gabinete político- teatral do teatrólogo Augusto Boal e a minha dissertação de Mestrado em História, na PUC do Rio de Janeiro. Caminhando entre a apolínea PUC e o dionisíaco Centro de Teatro do Oprimido, passei quatro anos respirando duas qualidades de poeira: a dos arquivos, onde pesquisava, e a das ruas, onde eram realizadas as apresentações teatrais. Declaro que, até hoje, sou apaixonada pelas duas atividades. Tanto no teatro quanto no mestrado, o foco do meu trabalho era no feminino. Na época, era uma mulher dividida entre Atena e Afrodite; hoje me declaro filha de Oxum .
Venho de uma família de muitas mulheres, ouvia histórias de suas vidas, assisti algumas delas serem afastadas do sagrado direito de exercer seu potencial criativo. Foram precisos poucos anos de faculdade de História e, mais tarde, Ciências Sociais, para começar a estabelecer a ponte entre o pessoal e o político. O pessoal é político, já dizia o movimento feminista.
No magistério tive a oportunidade de vivenciar o que se tornou um divisor de águas em minha trajetória profissional: durante quatro anos trabalhei como professora na Penitenciária Feminina Talavera Bruce. O feminino apresentava-se ali, em uma de suas faces mais sofridas, sombrias e profundas.
Quando junto fotos imaginárias do meu trabalho tanto com as mulheres, na Talavera Bruce quanto nos dias atuais, contando histórias ou cocmo arteterapeuta, percebo que um fio une as diversas práticas _ a exclusão e as histórias silenciadas, contadas por outrem. O que mudou foi minha maneira de lidar com essas histórias. Se antes priorizava apenas a denúncia ,ação importante, sem dúvida, hoje priorizo a transformação. Mais do que denunciar uma situação de sequestro da cidadania, hoje busco trabalhar com o brilho inerente a cada ser humano. Saí do trabalho com a patologia social para trabalhar na promoção da cidadania plena _ e é aí que a Arteterapia entra em minha vida.
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terça-feira, 26 de junho de 2007
Fotografia...

Fotografias participam do mesmo campo simbólico da luz _ consciência e manifestação do sagrado. Oferecem ao olhar uma noção de tempo magnificada , porque congelada. Trazem informações e elaborações peculiares. Fragmentos congelados de um passado, são suporte para a fluidez narrativa, contam histórias...
Esta é minha foto preferida, tirada no Egito, em 1998. Aqui escrevo meu nome nas areias do Saara, consciente de que o tempo e o vento se encarregarão de apagá-lo; contudo, por um breve e eterno momento, alterei a forma de todo o Deserto. A luz intensa destaca a sombra. Luz e Sombra fazem parte do mesmo instante...
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